terça-feira, 14 de outubro de 2008

a necessidade de crenças, as esperanças e a utopia

Por que todo mundo acha que se precisa acreditar em algo?

Eu já acreditei. Já cri. Já sim, qual o susto? Já passei por tanta coisa, acreditei, quis acreditar. Já fui católico, influência da família. Ia à missa para contar pontos no crisma. Não sentia nenhuma “sensação boa”, “Cristo no coração” ou qualquer coisa parecida. Tudo parecia tão… vazio. E era. E é.

Já vi espiritismo, já vi magias de todo tipo: wiccano, hermetismo, maçonaria, budismo, gnosticismo, satanismo e luciferianismo também. Então se engana quem acha que meu ponto de vista é só “frescura”, só “negação”, só “rebeldia”. Não sou ateu por rebeldia, eu já vi e vivi várias religiões, procurando a tal “verdade” que todas falavam, ou simplesmente tentavam mostrar.

Bem, e acha que alguma conseguiu? Como sou hoje, acredito, responde. Pelo menos pra mim. Hoje vejo que simplesmente não há verdade absoluta em lugar nenhum. Parei de procurar, e vejo que é melhor viver uma realidade ruim do que me inserir numa ilusão, numa fantasia, ansiar uma utopia que também nunca chegará, não do modo como as religiões pregam, pelo menos.

Tá bom, eu sei que seria melhor daquele jeito, mas não é difícil ver que não é. O ideal é mudar o mundo hoje para um jeito melhor, e não simplesmente ansiar por algo que nunca chega.

Voltando ao assunto…

Cheguei a ter uma fase em que simplesmente não sabia no que acreditar… Fiquei muito bem perdido, acho que se me aparecessem com a idéia de aceitar um camundongo como rei supremo paranormal eu aceitava…

Sabe, tive esperanças de que algo existisse de fato…

Bem, acabei chegando à conclusão que não. Comecei a ler textos mais científicos, mais céticos, mais descrentes, e acabei notando que estava certo. Não havia motivo para crer no que as religiões pregam, porque acreditar que é verdade nunca torna a coisa real. Por mais forte que seja o desejo.

Nesse tempo em que eu não sabia no que acreditar, minha mente estava em completa confusão, toda a “certeza” que eu tinha antes eu perdi. Quem acompanhou o meu estado (poucos) sabem como foi. Demorei pra começar a me restabelecer. Matei a fé, era inútil. Matei a esperança, de novo. Pelo menos no sentido religioso, metafísico, espiritual, toda ela.

Uma coisa que eu sempre tinha antes, principalmente de finais de semana (dias propícios, né…) era crise existencial… e a resposta sempre recorria ao destino, as pessoas me consolavam “um dia vc vai achar alguém” ou “sua situação vai melhorar”, “vai dar tudo certo”… e quem garante?

Na verdade, nem quem falou garantia. Porque não tinha como garantir! Era a esperança que existia que fazia voltar à mesma coisa (ou seja, de fato não fazia passar, só amortecia a crise).

Vi que fé é inútil, boa parte da esperança (que se confunde muito fácil com fé) também matei. Aniquilei e enterrei. E não me arrependo. Hoje não acredito só por esperança de uma utopia ilusória. Acredito no que posso, no que consigo, no que acho lógico, racional. Afinal, se a razão é que nos distingue do que chamamos de “animais”, a certo nível inferior (que na verdade não existe também), ela deve ter um pouco de utilidade, não?

Bem, hoje em dia não tenho mais crises, sei que quem faz meu “destino” sou eu. Do meu jeito. A frase “eu quero, eu consigo” vale nesse caso (tem muitos poréns que dificultam a ação dessa frase, mas sem entrar em detalhes) e para tudo o que eu quero planejar, quero fazer, anseio. Hoje em dia sou mais dono de mim mesmo. O que é irônico, porque sei que em algumas linhas de ocultismo dizem exatamente isso: “Ser mago é ser dono de si mesmo”. Acho que me tornei um mago sem querer. Pena que não posso lançar bolas de fogo.

:D

Good trip!